Vencendo seus sabotadores

 

 

Você já se flagrou trabalhando “contra” si mesmo? Como psicóloga, observo que a maioria das pessoas se sente muito surpreendida quando percebe que está utilizando artimanhas mentais “contra” si mesma. A pessoa chega a pensar: – como é possível? Não era isso que eu queria! E eu sei que é verdade, de maneira consciente nenhum de nós quer se prejudicar. A questão é que quando ainda criança, cada um de nós precisou desenvolver “estratégias” diante de adversidades reais ou imaginárias e, inicialmente elas foram muito eficientes. No entanto, quando vamos amadurecendo é necessário atualizá-las ao contexto, avaliar se elas continuam sendo necessárias ou se estão ali apenas por força do hábito.

No livro Inteligência Positiva, Shizard Chamine chama a atenção para dez sabotadores que desenvolvemos ainda na infância e que nos acompanham por toda a vida. Não utilizamos todos sempre, costumamos ter alguns mais fortes que outros. Quero destacar aqui um que o autor considera como “universal”, o qual chamou de “crítico”. Você já deve estar curioso para saber como ele trabalha. Posso garantir que seu trabalho é muito eficiente e, dentre suas características e funções podemos dizer que ele encontra defeitos em si mesmo, nos outros e nas circunstâncias frequentemente. Quando está focado em encontrar defeitos em si mesmo se atormenta por todos os erros do passado e pelos atuais também. Costuma ter pensamentos como: – O que há de errado comigo? E se sente muito culpado e decepcionado. Acaba por se utilizar de mentiras como “se eu não me punir, ficarei preguiçoso ou acomodado”. O impacto deste de tipo de pensamento, sentimento e até mesmo a mentira gerada é enorme, e o resultado disso é  a ansiedade, a frustração e o sofrimento.

Gostaria que imaginasse agora como este sabotador poderia atuar quando você toma a decisão de se matricular na academia e finalmente começar a se exercitar. Não é à toa que a maioria já começa por se cobrar um resultado excepcional em um prazo curto e, evidentemente na mesma proporção experimenta grande  frustração quando os mesmos não aparecem.  Preciso ser muito franca com você, se continuar a insistir neste padrão, continuará fracassando. É necessário começar a se observar e identificar quando o seu “crítico” estiver atuando. Não é preciso também iniciar uma guerra contra o mesmo. Muito pelo contrário, quando perceber sua companhia, apenas registre e, quem sabe você pode dizer: Olá crítico, você está fazendo o seu trabalho e eu vou continuar o meu! E se CONCENTRE no que estiver fazendo. Se ainda falta uma série, faça seu melhor. Se estiver apenas 30 minutos para treinar, use-o da melhor forma possível. Na semana que só puder ir duas vezes, perceba o que te afastou de uma prática regular e se comprometa a fazer diferente na semana seguinte. Aprenda a tolerar suas recaídas como parte do processo de construir um novo hábito. Talvez você ainda não saiba que um dos argumentos do crítico é fazer você acreditar que se não fizer “exatamente” como tem que ser não irá funcionar. Lembre-se de que você aprendendo a se exercitar, ainda não é um hábito consolidado e nunca será se mantiver uma atitude crítica com você mesmo.

 

Adna Rabelo – Psicóloga (CRP 05/48233)